Para quem não sabe – e se não fosse feriado em Maceió provavelmente eu também não saberia – hoje é comemorado o dia de Nossa Senhora da Conceição, a santa católica que remete à divindade Iemanjá, a quem a Umbanda atribui o reinado do mar. Sobre o assunto, duas senhorinhas conversavam nas últimas cadeiras do ônibus que tomei ontem; eu estava à frente delas. Foi a primeira quem puxou o mote:
- Amanhã é feriado do quê mesmo, mulher?
- É Nossa Senhora da Conceição, respondeu a segunda, de pronto.
- Ah, essa santa que é Iemanjá, não é?
- É não, mulher – frisou a outra, com propriedade. E emendou: O povo faz muita confusão com esse assunto. Nossa Senhora é Maria, mãe de Jesus. Essa Iemanjá é espírito de macumbeiro, pois Nosso Senhor disse que no mundo só existe um espírito, que é o Espírito Santo. E tirando o Espírito Santo, qualquer outro espírito é do demônio.
- Ah, é mesmo, concordou a ouvinte, sem argumento.
A conversa prosseguiu quando desci – um ponto depois de demônios e infernos entrarem na história – e eu não poderia deixar de ir pensando naquilo o resto do caminho. Em como é fácil distribuir desconhecimento e equívoco sob a carapaça da verdade, quase um hábito entre religiosos de várias denominações e até de pessoas comuns, como você e eu.
Não tenho religião nem gosto de religiões, porém, acho importante que elas sejam incluídas no currículo escolar básico de forma crítica, para não correr o risco da disciplina se transformar em doutrina no ambiente da sala de aula – o que acontece em muitas escolas. E digo isso com a experiência de quem já passou por colégios que deveriam formar padres ou freiras, mas, no geral, fizeram fieis esporádicos, gentes de outras igrejas, malucos de toda espécie e ateus.
Imagem: Isolda Herculano.

















