terça-feira, junho 09, 2009

Discutindo o linfoma da Glória Perez



É do conhecimento geral da Nação que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, está fazendo tratamento quimioterápico após a retirada de um linfoma (tumor cancerígeno nos gânglios linfáticos). Por isso, os noticiários estão afiados em fornecer boletins médicos e esclarecimentos sobre o novo termo que, há poucos dias atrás, não fazia parte do vocabulário do brasileiro.

Além de Dilma – acabo de ler num site de notícias – Glória Perez, autora de Caminho das Índias, folhetim do horário nobre global, também está passando pelo mesmo tratamento. Assim como Rousseff, Perez detectou precocemente o tumor, retirou-o por cirurgia e está em fase de recuperação. Mas o linfoma da autora não interessa à opinião pública e parece tratar apenas de questão para a oncologia.

O da ministra também nem interessaria tanto não fosse o caso de ser um câncer político, desses que acometem prováveis candidatos a importantes cargos em véspera de eleição. Não serei leviana de apontar o linfoma da Dilma como estratégia para 2010 – como já ouvi, maldosamente, dizerem por aí. Mas não posso negar que a exploração do assunto, nos e pelos meios de comunicação, só cheira fins eleitoreiros, já que fortalece mais a ideia de que Lula ainda é um rei sem herdeiros.

É que, pelo andar da carruagem, sobra ao imaginário popular o conceito que apenas o presidente tem condições de suceder a si mesmo, e sem ceder aos apelos de um terceiro mandato. Uma possível unificação das eleições em 2012 – assunto que havia amornado – começa a esquentar novamente na Câmara dos Deputados e é provável que, montado numa economia de R$ 10 bilhões, Luiz Inácio segure o comando do país por mais dois anos após a implementação da afamada reforma política. Uma pechincha, não?!

Enquanto a evolução da enfermidade de Glória Perez desembocaria no simples descompasso do final feliz entre Maya e Bahuan na trama das oito, o linfoma da Dilma pode reger, e está regendo, o futuro político do Brasil. Claro que é de bom tom todos fazerem cara de preocupados com a saúde e o bem estar da ministra – que logo estará restabelecida, suponho. Mas ai que contra o tumor maligno da política falsa moralista não há quimioterapia.

(Original publicado em 21.05.009)

Um comentário:

JLineu disse...

Infelizmente, o Linfoma mal faz parte do vocabulário médico. O SUS não está capacitado para atender a população, nem em quantidade, nem em qualidade. A cada ano aumenta o número de pacientes com este tipo de câncer. Também aumenta o número dos que passaram por diversas especialidades médicas até que o linfoma fosse descoberto. E a prescrição é simples: seções de quimio.

Mas sabe o que deixa a Ministra Dilma tão bem, física e aparentemente? Um medicamento chamado Mabthera (ou rituximab). Ele não é acessível ao povo, mesmo existindo a obrigação legal do sistema público de saúde em fornecer tais medicamentos. Pois é, vai ficar no esquecimento se ninguém cobrar, pois a lista de remédios do SUS não é atualizada há mais de 10 anos.

Enquanto faço 'barulho' e exijo acesso à saúde, faço fé para que a Ministra se eleja em 2010. Certamente amparará o SUS depois de uma experiência como esta!