quinta-feira, junho 04, 2009

Sim, ELES podem!


Desde que o mundo é mundo, como diz minha avó, as pessoas procuram redentores de toda espécie para responder suas expectativas por dias melhores. Alguns deles são figuras religiosas: Jesus Cristo, Buda, Maomé, Dalai Lama, entre muitos. Outros, líderes políticos: Nelson Mandela, Fidel Castro, Luiz Inácio, Abraham Lincoln etc. Mas é chegado o tempo em que a salvação tem novo nome e sobrenome: Barack Hussein Obama – Obama, para os íntimos.

Depois da mesopotâmica cerimônia de posse realizada nesta terça-feira (20) na capital norte-americana, e transmitida para os quatro cantos do mundo – como se todos os lugares pudessem ser beneficiários deste novo mandato estadunidense – resta uma dúvida: o que o nosso país tupiniquim ganhará com o presidente recém-empossado? É certo que as emissoras tiveram temas mais importantes a tratar ontem como, por exemplo, o figurino da primeira-dama Michelle e o paletó supersônico de Obama, que seria a prova de balas. Mas não esqueçamos do detalhe: como ficará a relação Brasil-Estados Unidos a partir de agora?

Pesquisando sobre o assunto achei respostas pouco animadoras. Vamos aos exemplos práticos: a América Latina não apareceu na campanha eleitoral de Obama, ou seja, aparentemente as relações entre lá e cá permanecerão as mesmas: seremos olhados como imigrantes ilegais, traficantes de drogas e eles nos deportarão quando julgarem necessário. Nenhuma mudança. O secretário de Defesa para este novo mandado, aliás, é o mesmo de Bush, um tal de Robert Gates, que comandou a instalação de soldados americanos no Iraque. Dizem os analistas que, apesar de sinalizar a retirada das tropas, é possível que o governo deles adote uma política de continuidade na área. Se assim for, a antipatia ao americanismo superior permanecerá.

Claro que não podemos esquecer que o presidente é norte-americano e tem como prioridade suas próprias mazelas herdadas da antiga gestão – como se costuma falar no mundo político e politiqueiro. A principal delas é a tensão na economia. Obama precisará focar esforços em remover, o mais rápido possível, o tumor que atingiu a população que o elegeu chefe de estado. Tal esforço pode ser prejudicial ao Brasil, já que em tempos de crise é difícil pensar numa maior abertura econômica para países latino-americanos. Pelo menos inicialmente, alerta meu lado otimista de ser.

A placenta em que Obama está envolvido é feita da esperança de um povo atingido em cheio pela Era Bush. Essa população, que viu seu status de sempre ruir nas mãos de George W., considera o novo presidente a tábua de salvação ou se anima da máxima "pior do que está não dá pra ficar". Meu desejo pessoal é de que Barack Obama faça um mandato tão brilhante quanto anunciou sua milionária campanha publicitária. Embora nós, da Comunicação ou não, saibamos que o fim de toda publicidade é fazer com que o produto pareça ser bem melhor do que, realmente, é.

(Original publicado em 21.01.009)

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