terça-feira, junho 16, 2009

Lula, o filho de quem mesmo?

Quem não gosta do presidente Lula, presumo, deve lhe admirar, ao menos, pelo homem estrategista que é. É claro que isso não pode soar como simples elogio, visto que Adolf Hitler, Bin Laden e Barack Obama também são mestres na estratégia – sem querer fazer uma comparação leviana entre a figura dos quatro.

Semana passada, vi pela primeira vez o trailer do filme ‘Lula, o filho do Brasil’ (assista na coluna lateral), com estréia prevista para janeiro de 2010; ano eleitoreiro eleitoral, diga-se de passagem. Pelo fragmento, não posso considerar que a película será grande coisa, mas certamente baterá recorde de público; anotem aí! Sinto que a comédia ‘Se eu fosse você 2’ – que lidera a bilheteria no país – cederá lugar ao drama de Luiz Inácio, o filho de Dona Lindu.

Embora o filme, pelo que se tem notícia, termine quando Lula assume o primeiro mandato como presidente – o que poderia descaracterizar seu caráter apelativo – é evidente que mira as urnas da eleição presidencial ano que vem. E não reste dúvida que a trajetória dele, que saiu do sertão pernambucano num pau-de-arara para tentar a vida em São Paulo, é emocionante e vai tocar o fundo da alma de muitas pessoas. Dos nordestinos, em especial, pois são tantos os que deixam (ou vêem parentes deixarem) sua terra natal, perseguindo o sonho de prosperar em regiões mais promissoras.

O que muitos não entendem, nem entenderão, é que aquele Luiz Inácio da Silva flagelado da seca, metalúrgico ou sindicalista, já não é o mesmo Lula que temos a frente do Executivo hoje – e o objetivo do filme é, exatamente, mesclar os dois para que se entenda que existe apenas um Lula. Isso não deixa de ser uma utopia ou uma inverdade daquelas que, projetada milhões de vezes na telona de um cinema, pode se tornar uma verdade quase absoluta.


EU INDICO! O texto que me chamou a atenção essa semana é intitulado “E a Parada? Por aqui continua o mesmo e por aí?”. Uma crítica à Parada Gay de São Paulo, ocorrida no último domingo (14). O post é do blog Ai! Como eu sofro!, do publicitário Levi Herculano. Você também pode clicar aqui para ler.

2 comentários:

Salomão Miranda disse...

Lula é um filho da mesma região onde nasci e cresci. Mas não me orgulho de tê-lo como presidente. De fato, um grande estrategista e sua história chama a atenção até de quem é oposição.

Talvez Lula tenha sido sempre o mesmo, pois escuto meus colegas falarem que a CUT é governista. Não sei se na época do Lula era.

Independentemente disto, hoje ele está completamente envolvido e ajudando os empresários e banqueiros. A classe trabalhadora está sendo traída, mais uma vez. E ainda queriam iventar o terceiro mandato? Tenha paciência!

Abraço e parabéns pelos blogs, gostei do layout de todos.

Mário disse...

O sucesso de Lula é proveniente desse mito do presidente-operário-retirante. Ele pode ter sido retirante e foi operário por brevíssimo tempo. Logo em seguida virou líder sindical. Em vez do chão da fábrica, a sala do sindicatos, piquetes e negociações com os patrões. E depois disso? O que fez Lula da vida?

Lula é tão operário quanto ACM era médico. O primeiro o foi em algum momento da vida, já muito distante. O segundo, só tinha mesmo o diploma, pois nunca exerceu. Mas a atividade a que ambos se dedicaram foi a política.

Do que viveu Lula desde o fim da década de 80, quando deixou de ser deputado, até sua eleição como presidente em 2002? Como ele sustentava a família? Como pagava suas contas? A que atividade profissional se dedicava? Estudava? Trabalhava em alguma coisa? Que eu saiba "candidato a presidente" não é exatamente uma profissão.

Naquele segundo (e desastroso) debate com Fernando Collor, Lula insinuou que a família de Collor era de grandes latifundiários. Collor ficou com a faca e o queijo na mão, pediu para Lula apontar uma fazenda sequer que fosse propriedade dos Collor de Mello. Em seguida, lascou essa: "Minha família tem uma empresa de comunicação. É lá que trabalhamos (vejam só, até o Collor tinha um lugar para apontar como seu local de trabalho), mas o candidato Lula é que NUNCA TRABALHOU NA VIDA!"

Eu, na minha ingenuidade de garoto à época, pensei: "Agora o Lula acaba com o Collor! Acho que ele vai até mostra o dedinho: 'Olha! Esse mindinho eu perdi trabalhando!". Santa ingenuidade. Lula abaixou a cabeça e não disse uma palavra quando Collor o chamou de vagabundo. Ele simplesmente aceitou a pecha (talvez ainda não fosse tão cínico quanto é hoje).

Pois bem, como diabos alguém que não tem profissão definida morava numa cobertura, tinha carro-zero na garagem, chácara na represa Billings e filho estudando em Paris? Quem sustentava Lula? O partido? Os amigos? Que tipo de homem é esse que aceita tal condição?

O tempo passa e algumas coisas vão se esclarecendo. Um dos grandes amigos de Lula é o empresário Sérgio Andrade, um dos donos da construtora Andrade Gutierrez. Sérgio também é um dos controladores da Oi/Telemar. Ele também é o maior doador individual das campanhas do "presidente-operário". Foi uma prima de Sérgio quem pagou os estudos de Lurian, filha de Lula, em Paris. E foi uma das empresas de Sérgio Andrade, a Oi, quem fez a mágica de transformar, Lulinha, filho de Lula, de monitor de zoológico em milionário do dia para a noite.

Não tenho nada contra se o presidente tem um amigo rico que gosta de pagar estadas e Paris para os filhos dele. Nem que queira ajudar o amigo a se eleger presidente. Mas o negócio começa a ficar estranho quando o filho do presidente vira sócio de uma empresa do "amigão" do presidente. E fica mais estranho ainda quando o amigão do presidente adquire o controle da Brasil-Telecom de Daniel Dantas numa transação ilegal. O negócio foi legalizado graças a Lula, que trabalhou pela mudança na lei. Ou seja, o negócio foi realizado na certeza de que a mudança na legislação estava garantida.

Uma outra figurinha do rol de "amigões" de Lula é o advogado Roberto Teixeira. Lula, o filho do Brasil, morou durante 8 anos num imóvel de Teixeira sem pagar um tostão de aluguel. Teixeira foi denunciado na CPI dos bingos e o petista Paulo de Tarso Venceslau foi chutado do PT quando denunciou um esquema de propina urdido por Teixeira. O "amigão" advogado pedia dinheiro em nome de Lula às prefeituras petistas. Teixeira é padrinho de um dos filhos de Lula.

Esse é Lula. Isso é o Brasil.