terça-feira, junho 09, 2009

O detalhe entre instruir e destruir



Vivemos no mundo do audiovisual, é fato. E é da ambição humana querer ver, ouvir e – quereremos num futuro bem próximo – sentir através da tela. A novidade é que, até poucos anos atrás, tal tela era a da televisão, que reinava solitária no espaço mais central da sala. Mas hoje se tem tela de tudo o quanto é jeito, para que não possamos querer nos ver apenas na TV: celular, mp4 (5,6,7...), notebook, etc.

Percebam a curva da revolução que estamos presenciando de dentro das nossas próprias casas: a audiência das TVs passa por uma derrocada indesviável. E é claro que virão os apocalípticos dizer que a culpa é dos computadores e da internet, mas eu digo não para a hipótese. Culpada é a programação inútil que vai ao ar diariamente e se repete, exaustiva, em todos os canais. Ou seria mera coincidência a emissora X lançar uma produção diferente na praça que é absolutamente igual a uma que já existiu ou ainda existe na emissora Y? Chacrinha profetizou que nada se cria e, de lá pra cá, tudo continuou a ser copiado.

Mais cedo conversava com um amigo sobre o assunto: estou assistindo menos TV. Mas não por ela ter deixado de ser um meio maravilhoso de se fazer comunicação, e sim porque usa uma fórmula gasta e lenta para a velocidade evolutiva dos tempos. Num exemplo bem prático: tudo o que eu posso assistir hoje à noite no Jornal Nacional li antes no G1, na Folha Online, que seja! As telenovelas, mesmo diante do vício e comodismo do telespectador brasileiro, estão cada vez mais dispensáveis. Os programas que podem acrescentar qualquer valor ao nosso intelecto são jogados no calabouço da programação (tarde da noite ou mesmo na madrugada), comprometendo a disposição para o dia de amanhã. Enfim, quis enumerar pequenos motivos.

Eu poderia falar também da programação da TV paga, mas como ainda estou num país miserável, onde milhares de lares só recebem o sinal da TV Globo, continuarei por aqui mesmo. A curva da revolução a que me referi lá atrás, e já podemos sentir, não se faz presente para vários semelhantes nossos, com capacidade de pensar tanto quanto nós podemos, porém sem oportunidade para isso. E quando nos convencermos de que poder de escolha é mais do que zapear num botão de controle remoto, pode ser que eles ainda estejam sendo induzidos a acreditar que vale a pena ver de novo o que já vimos num passado torto. E a desigualdade de informação será outra responsável pela desigualdade de formação.

(Original publicado em 04.04.009)

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