terça-feira, junho 09, 2009

A preço de banana

A inclusão digital está aí para quem quiser e estiver disposto a pagar por ela. É claro que este alguém pode não saber de todos os benefícios que as novas tecnologias da informação e da comunicação – como se diz, academicamente – têm a lhe oferecer, de forma real e concreta. E vai parecer piegas, mas o caso me preocupa.

O anúncio acima, copiado e colado do Circuito Integrado (Blog de Informática da Folha) é mais um sinal de que o Brasil já está incluído na chamada Era Virtual, em definitivo. E eu acho extraordinário ver crianças, cujos pais nunca tiveram acesso a uma máquina de escrever em casa, desbravando programas a fio, descobrindo com o senso autodidata extraído dos computadores e da internet, trabalhando a própria inteligência, tantas vezes subestimada. Não me agrada, porém, o excesso de acesso indiscriminado.

A foto, tirada numa cidade baiana não identificada (como se a Bahia fosse uma coisa só!), chamou minha atenção para os apelos do virtual em sociedade. Falarei do Orkut, para simplificar, já que o site de relacionamento dispensa apresentação. A tabela enumerada de preços especifica a cobrança da bagatela de RS 0,75 para quem quiser criar um perfil na página. Ou seja: pessoas que sequer dominam o procedimento, facílimo, de criação sentem a necessidade de “ter um Orkut”. É o modismo da inclusão que não inclui – assunto que daria tese de doutorado.

E quem tem um Orkut não poderá ficar sem uma conta de acesso ao MSN – programa de conversação de igual fama. E lá se vão mais R$ 0,50: uma pechincha, caso o felizardo possua o cartão do Bolsa-Família. Enfim, com R$ 1,25 é possível sair de um estabelecimento que vende acesso a tecnologia e a informação com a impressão de estar incluído, ainda quando só se está iludido.

(Original publicado em 07.04.009)

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