terça-feira, junho 09, 2009

Presidenta do Brasil?

[dilma(9).JPG]

Quando, no início do segundo mandato do presidente Lula, ouvi da boca dos críticos que ele era um rei sem herdeiros, confesso, quis crer na máxima. E não por simpatia – até me pareceu uma constatação antipática – mas considerei improvável que alguém com uma história pessoal e política semelhante à dele pudesse alçar vôos tão altos quanto ele alçou. Com o Partido dos Trabalhadores em maus lençóis ficaria mais difícil ainda.

Difícil também porque, entre mil outras razões posteriores, quem criticava a sucessão presidencial ainda não levava em consideração o fato de Lula ter a opção de deixar uma herdeira. Falavam em herdeiros forçando a tônica masculina da palavra – sublinhada pelo imaginário dos militantes barbados do PT de antigamente. Mas além de homens elegantes, de barba feita e até implantes capilares, o partido possui hoje mulheres ao nível de uma disputa nacional – devem ter julgado Lula e equipe antes de divulgar que Dilma Rousseff (PT) é sim, a mais “qualificada” para governar o país.

A ex-petista Heloísa Helena (PSOL), vereadora em Maceió, quando candidata à cadeira presidencial nas eleições de 2006, declarou que o Brasil já deveria ter tido uma presidenta. E usando seu vocabulário característico, considerava uma “aberração” o fato de mulher alguma ter se candidatado antes dela. Concordo com Heloísa, mas, pela experiência das ruas, não acho que o povo brasileiro esteja preparado para eleger uma chefa de estado. O machismo é, sem dúvidas, o vilão da história. As pessoas (mulheres, inclusive) ainda se surpreendem ao ver uma mulher dirigindo um ônibus coletivo, pilotando um avião e cumprindo tantas outras funções, tradicionalmente, masculinas. Para cargos políticos, é vergonhoso mas, o mandato de muitas delas está fatalmente arraigado às gestões masculinas anteriores de seus pais, maridos, partidários inseparáveis etc.

A ministra da Casa Civil tem um sobrenome pomposo, mas um nome simples: Dilma, que deve ser explorado durante a campanha como forma de lhe aproximar do povo. Ajudará o fato do Programa de Aceleração do Crescimento ter inaugurações concentradas no crucial 2010 (para quem não sabe, Dilma foi denominada “mãe do PAC”). O ano que vem também contará com o lançamento do filme Lula, o filho do Brasil, previsto para o primeiro semestre, o que, certamente, fortificará o lulismo, e seus aliados/seguidores, de norte a sul do país.

Dilma tem muitos pontos a favor de sua candidatura e, como não poderia ser diferente, muitos contra: o já citado machismo do eleitorado, o fato de ser uma “desconhecida” até então, a falta de simpatia (atenuada por uma recente plástica facial), os adversários políticos, entre outros. Apostar na derrota da petista pode ser precipitado mas, intuitivamente, não acredito que ela ocupará a honrosa posição de primeira presidenta do Brasil. Mas é claro que eleições não se fazem com apostas, menos ainda intuições.

(Original publicado em 07.02.009)

Nenhum comentário: