terça-feira, junho 09, 2009

Reflexos e reflexões

Depois de cobrir um domingo (15) de eleição suplementar num municipiozinho do interior alagoano, voltei a uma velha questão já levantada por mim mesma – e por tantos outros: o que é democracia?

É claro que o dicionário ajuda, mesmo quando a realidade das coisas não coincide com a das palavras. Então, vamos aos saberes da língua, analisando a origem pelo grego: demos (povo) e kratia, de krátos (governo, poder, autoridade), como bem se aprende nas aulas de história. Numa tradução literal, democracia seria algo como “o povo no poder” – slogan já usado e abusado nas campanhas eleitorais e, sobretudo, nas eleitoreiras.

A definição é poeticamente aceitável, principalmente quando, em tribuna, políticos discursam que os eleitores são livres para escolher seus representantes. Mas a linha entre obediência e liberdade é tão tênue, não acham? É como se dissessem ao povo: a liberdade que vocês têm lhes obriga a votar. Contraditório, como quase tudo o que sai da mente e da boca dos homens.

A cidadezinha a que me referi no começo do texto é Porto Real do Colégio, distante 183 km de Maceió, e o diminutivo utilizado não tem nada de pejorativo, apenas faz referência aos cerca de 17 mil moradores do município. Por lá, ouvi muitos votantes dizerem em alto e bom som que votam apenas porque se sentem obrigados, vi eleitores apegados a promessas feitas no apagar das luzes de campanhas (cargos, benefícios próprios etc.) e pessoas defendendo nomes ao invés de ideologias. Também vi denúncias de compra de votos e distribuição de cestas-básicas; briga de mulheres, em plena avenida principal, por motivo político torpe. E nada – digo, nada mesmo – me pareceu democrático.

Qualquer pessoa que questiona o voto pode ser considerada leviana no Brasil, que tem um passado histórico inteiro para confirmar que ele é uma conquista das maiores. E nem faz tanto tempo assim. O que eu gostaria, de verdade, era de estar viva para ver a democracia real estabelecida quando os eleitores perceberem que existe uma opção viável entre o candidato que “não faz nada” e o que “rouba, mas faz”. Só que a morte chega, para todos, tão depressa...


Foto: policiais averiguam denúncia de compra de votos.
E se deseja saber o porquê das eleições suplementares
em Alagoas, clique aqui.

(Original publicado em 16.03.009)

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