terça-feira, julho 21, 2009

Eles chegarão aos 18?

“Mais de 33,5 mil jovens brasileiros de 12 a 18 anos deverão perder a vida por homicídio entre 2006 e 2012”, indica o medidor IHA (Índice de Homicídios na Adolescência) no relatório de uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (21). A notícia, que já rodou os quatro cantos do País, aponta Maceió como a capital brasileira que lidera o ranking de adolescentes assassinados pouco depois de outra afirmar que se mata mais aqui do que no Iraque. Alarmante para um lugar que não vive uma guerra declarada, ainda assim, não-surpreendente para quem se dá o trabalho de olhar em volta.

Quem conhece Maceió sabe que se trata da terra dos extremos: de um lado os muito ricos (que também são muito poucos) e do outro a população pobre (normalmente, muito pobre). A classe média fica esmagada no meio dos dois grupos que praticamente desenham sozinhos a paisagem urbana: de condomínios nababescos rodeados por grotas e favelas. A cidade é também capital do Estado com a maior taxa de analfabetismo do Brasil – em Alagoas, um em cada quatro habitantes com mais de 15 anos não sabe ler e escrever, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado dessa conta será invariavelmente negativo se somarmos a saúde pública caótica, a omissão dos governos, a corrupção em todas as esferas do poder, o desemprego, o uso indiscriminado de drogas, a fragilidade da polícia, a falta de habitação, saneamento básico etc.

No caminho da padaria hoje, após ter conhecimento dos números, encontrei três crianças pequenas, acompanhadas de seus pais, imagino, e a primeira pergunta que me fiz mentalmente foi: elas chegarão à maioridade? Não tive como responder a questão, claro, mas as estatísticas também mostram que se a criança for pobre, negra e do sexo masculino as chances de ser vítima da violência são maiores ainda. E esse é o perfil exato de muitos maceioenses, alagoanos, brasileirinhos. A segunda pergunta foi: que decisões seriam tomadas se as mortes atingissem uma maioria branca e rica? E fiquei sem resposta outra vez.

Eu não acho impossível que o número de mortes violentas dos jovens em Maceió diminua depois da divulgação do IHA. Acredito ainda que haverá alguma mobilização política no intuito de contornar a situação, já que Maceió e Alagoas precisam do sustentáculo do turismo com o mínimo possível de arranhões. O importante é entender que os políticos (com a licença da exceção) talvez liguem para os índices, para os mortos não!

Foto: Isolda Herculano. Crianças da Grota do Rafael, Maceió.


Isolda diz: Pessoal, o vídeo da semana é de uma reportagem sobre blogs, da TV Educativa, em que fui personagem. Espero que gostem! Um beijão para Cibele Tenório, jornalista que produziu o material, e para a equipe dela também. Ah, gostaria ainda de deixar o saldo da última enquete que perguntou Como você avalia a programação da Rede Record? 28% consideram boa. Outros 28% acham ruim. E mais 28% responderam ‘pra mim, tanto faz’. 14% afirmaram que não assistem à emissora. Foram apenas sete participantes. Na próxima enquete vocês poderiam opinar mais, para não cairmos num resultado tão ‘em cima do muro’ como esse. Ok?! (Risos!) Aproveitem para responder a da semana: Você já foi assaltado?


4 comentários:

Rafael Belo disse...

São tristes as estatísticas, mas vamos fazer a máxima de sermos mais que números. Seria bom vir com taias números, alguma sugestões de "como evitar" e "exemplo de" (meesmo conhecendo e sabendo quais são os caminhos ou não) Beijos IS.
ps deixei um selo o lado esquerdo do meu blog, para o Blog da Isolda. São cinco qualidades e cinco sugestões. Beijos

julio onofre disse...

Maceió é um lugar caótico. Muitos turistas se sentem maravilhado com sua orla marítima magnífica, mas não conhecem o outro lado - a lagunar. Só conhecem a ponta verde, mas não conhecem a ponta grossa. Enfim. Cidade de um contraste terrível e, diga-se de passagem,tomada agora pelo crack. Inclusive sugiro um post sobre o tema.
Números alarmantes, mas as pessoas ficarão ali na mesma. No reginaldo, vergel, grota do arroz, esperando um salvador da pátria. Coisa muito difícil nos dias de hoje.
Grande abraço

Jamylle Bezerra disse...

Pois é Isolda. Não se contam mais as vidas, mas os corpos dos mortos. É a banalização do bem mais precioso e divino que possuímos.

Roberto Kuelho disse...

Que bom ver, gente com o pensamento fervilhando. buscando o novo, nem que saiba de novo.