domingo, agosto 09, 2009

A burrice alternativa


Ainda fico impressionada com o comportamento de alguns jovens – alguns não, muitos – em relação à vida coletiva. De repente parece que são poucos os que ligam para política, sociedade, cultura. Se me pedirem para explicar melhor eu explico. Antes, uma ressalva: não espero de todos um comportamento revolucionário, mas acho que deveria existir mais gente comum, do tipo que ‘está aí’ para o que acontece a sua volta.

Tenho prestado atenção na opinião de pessoas de pouca idade que, aos poucos ou numa velocidade já tremenda, estão se desvinculando da vida social na busca de viver de maneira mais conveniente. Assim, forma-se uma legião de seres que não sabem que Assembleia Legislativa é a ‘casa’ de deputados estaduais ou que Lula é o chefe do Executivo ou a qual partido pertence determinado político que aparece sempre na televisão. Gente assim ainda não tem interesse em saber o que é base aliada, quem faz oposição a quem e, acreditem, não assistem noticiários porque cansaram de ver notícia ruim.

E vejam, também não cito casos de gente alienada, mas de pessoas com ótimo nível educacional que podem falar inglês fluentemente – diferente de mim – e ter aula de francês duas vezes por semana. Falo de quem conhece a ponta da tecnologia e não deve ser tido como um burro comum, e sim, como alguém que vê na burrice a alternativa viável diante de um mundo que, sendo real, não lhe parece ideal. E isso é grave. Percebam como as profecias do individualismo coletivo e patológico se realizam desde que a televisão foi da sala para o quarto, o rádio da casa se transformou num aparelho solitário com fone de ouvido, os notebooks assumiram o centro da satisfação mediana [depois de seu ancestral, o PC (Personal Computer), ter dito que o mundo é de um só ser possessivo: meu computador, meus documentos, minhas imagens...]. Já diziam os teóricos da Comunicação.

Parece que os seres humanos atingiram o limite do ensimesmar e – apesar de respeitar e ter ambições próprias, momentos de solidão, inclinação ao anti-social – não vejo vantagem em trocar o poder de crítica pelo poder de compra. E as pessoas estão trocando, sem enxergar o óbvio: que deixam de ser cidadãos para se tornar consumidores, contribuintes. Acabo sentindo falta de gente diferente, que não toma o mundo como o próprio (piercing no) umbigo.

Imagem: Google Imagens.


Isolda diz: Olá pessoas! Hoje é Dia dos Pais no nosso calendário tupiniquim. Aproveitem, então, o ensejo de um domingozinho qualquer para acertar os ponteiros do coração com o seu 'velho'. Não precisa presente, basta presença. Não precisa ser hoje, os outros 364 dias do ano também servem. Sejam felizes! Resultado da enquete: Quantas vezes você já visitou um museu? 82% dos leitores votantes do Mala Jornalística já visitaram o lugar, pelo menos, uma vez na vida. Bom índice. Cultura neles! Ah, ainda dá tempo de votar na outra: Se depender de você, os senadores por seu Estado serão reeleitos em 2010? E claro, tem uma novinha, saindo do forno agora.

6 comentários:

Ricardo Santos disse...

Adorei e achei bastante verdadeiro este tetxo. Muito bom mesmo!
parabéns!
Eu tenho um blog que procuro falar sobre cultura, politica e outras coisas. Se quiser visitar vai lá:
www.rsricardo.blogspot.com

Rafael Belo disse...

Pensando nisso escrevi -não sei se já postei- sobre o ventre. A necessidade do ventre cômodo e quentinho sem preocupação eficaz. E infelizmente não são só os jovens... OS V² (Vontade de Ventre) boa angústia Is. Beijos boa semana

Arthur disse...

Sei bem o tipo de jovem que você descreveu no texto. Tenho 21 anos e não discuto política com nenhum dos meus amigos. Não porque não goste, mas porque é algo impossível. Acabo me refugiando em blogs pra satisfazer essa necessidade.

O único que parece ter interesse nesse assunto é, na verdade, um grande repetidor dessas "verdades" oficiais ("o Lula deu dinheiro pro FMI", por exemplo), rebate argumentos com um "não importa, o Lula é o cara" - e é um aluno de psicologia. Outro exemplo é minha irmã: está no seu terceiro ano de engenharia química na UFAL, nunca perdeu uma matéria nem precisou ir pra avaliação final, mas, quando o assunto é política, só não gosta do Lula por ele ser corinthiano.

Não sei se você já leu, mas você encontra um bom retrato dessa nossa geração em "Como me tornei estúpido", de Martin Page. Mas, ao contrário do livro, não tenho esperança de que haverá uma mudança de rumos.

Ah, acho que faltou uma alternativa aí na enquete: daquela pessoa que não estuda sobre, mas que gosta e se informa sobre o assunto. Acabei sem saber onde votar, já que não estudo política nem me informo apenas pelos noticiários (acho que você quis dizer, especificamente, telejornais).

julio onofre disse...

Rapaz eu tõ com uma raiva desse bando de jovens que não quer saber de nada. A vida é aquilo mesmo. "que nada meu irmão"."só véi". Ai, chega tenho náuseas. Penso que estamos chegando próximo a um Armagedon social.
Bjos.

elamanuela disse...

Oi Isolda, conheci seu blog através de seu pai, Elmar, meu colega de curso que inclusive adimiro muito! Muito bacana você promover este debate, e acho que quando se trata disso dá pra perceber que as coisas não são simples assim. Acho que não dá simplesmente pra dizer que estes jovens de hoje em dia não se interessam por política e etc... O que dá para perceber é que há um esvaziamento deste lugar que você coloca muito bem aí que é o coletivo. E este esvaziamento não acontece só por posturas individuais, alguém gostar ou não de discutir ou se informar sobre as questões políticas ou sociais, mas é na verdade um reflexo desse modo de vida que levamos. E é um formato de se viver que eu acho muito cruel. Bom, isso é questão para horas de debate! Parabéns por colocar o assunto na agenda! Abraços

Isolda Herculano disse...

Olá jovens blogueiros e leitores do Mala...

Sabia que reconheceriam – fácil – exemplos como os que mencionei no post. Eles estão aí, aos montes e muitos são pessoas que amamos. A opinião de vocês, como gosto de sublinhar, é sempre importante para minha composição de pensamento. Obrigada!

Arthur, a sua alternativa faltou mesmo, mas pelo menos você deixou uma resposta aqui defendida. E que bom saber que gosta de política. É a engrenagem fundamental para quem vive em sociedade. Andei ‘passando a vista’ em seu blog agora. Parece interessante. Mais tarde vou ler alguns posts com mais tempo.

Manuela, bem vinda e volte mais vezes.

Abraços Ricardo, Rafa, Julio . E a todos!
Isolda.