sexta-feira, agosto 14, 2009

O dedo de Deus

Quando Juca Kfouri, num artigo nada furioso, manifestou-se contra a exposição exacerbada da imagem ou do nome de Jesus – o Cristo, não o Luz – durante as partidas de futebol se quis formar uma polêmica ao redor do fato, (in)felizmente superado pela crise no Senado. Sempre achei o mesmo, pois não concordo com a doutrinação indiscriminada. Doutrina, para mim, é coisa que deve ser aplicada àquele que se quer doutrinar – considerando a parcela dos que não querem.

Eu também sei que a liberdade de culto religioso é uma garantia constitucional porém, a depender do lugar utilizando como ‘altar’, deveria ser considerada caso de perturbação de sossego. E me perdoem os fanáticos, mas não há coisa mais irritante do que estar parado no ponto, esperando um ônibus que não chega, debaixo do sol a pino e sentir no cangote o bafo quente de um religioso, munido de microfone e caixa amplificada, a dizer mil coisas que você não quer ouvir. Ou porque não está com saco no momento ou porque não acredita em nada daquilo ou porque o silêncio deveria ser uma virtude minimamente respeitada em sociedade. A observação vale para os carrinhos de CDs piratas – que param no mesmo lugar – tocando Calcinha Preta, Garota Safada e Forró do Muído. Salvar-se-á quem tiver um desses aparelhinhos mp3.

Assistindo a mais um capítulo do lengalenga Globo versus Record – que acho deplorável para a comunicação brasileira – vi a emissora do bispo doutrinar, ao invés de informar, no seu telejornal principal por cerca de 20 minutos essa semana, numa mistura indecifrável entre guerra de audiência e Deus Pai Todo Poderoso. Nitroglicerina pura! Um desrespeito para o espectador que ligou seu aparelho de tevê na busca da informação que o título da atração – jornal – supunha. Mas a maioria das pessoas ainda acha que anormal é não ter religião, não entrar nessa cruzada moderna para decidir se o melhor é tirar ou deixar Jesus na cruz.

Não dá mesmo para suportar o reaparecimento dos jesuítas midiáticos, futebolísticos, delivery sem uma opinião expressa. E eu sou contra essa gente que desconsidera outras crenças ou descrenças em nome da sua verdade absoluta e quer entrar na casa alheia sem ser convidado com o dom de infernizar como ninguém em nome da eterna ‘paz do senhor’.

Imagem: Google Imagens.


Olá pessoas! Link para o texto do Kfuri: “Deixem Jesus em paz”. Ah, também quero deixar claro que, apesar de não ter religião (nem querer uma), não tenho nada contra elas. Algumas, inclusive, são capazes de melhorar um indivíduo – coisa que acho louvável. Outras, piorar. E assim caminha a humanidade. Abraço. E tem enquete nova. Vamos nela!

3 comentários:

Anônimo disse...

realmente essa baixaria entre globo e record está um saco. Não aguento mais. Liga-se o psudojornal e lá vem duas cumade brigando. Um saco.
é triste tb ver jornalistas serem obrigados a passarem por situações dessas.
abraços

dEREK disse...

Concordo com você.
O uso exarcebado do nome de Deus já virou uma bagunça.
O pior de tudo é que na mídia, cada um O vê de um jeito, e esses sempre tentam nos empurrar goela abaixo a imagem que fazem Dele.

Essa disputa da Record contra a Globo, que começou, ora veja só que coincidência, depois de "A Fazenda" ter ganho do "No Limite" no ibope, já tem um perdedor: nós, telespectadores, que estamos no meio de um fogo cruzado em que a informação fica em segundo plano. Agora, até que é engraçadinho ver as duas maiores redes de tv do nosso país se engalfinhando, mas lá na frente vamos ver que isso foi uma enorme perda de tempo!
Pior que isso é ver jornalistas profissionais sendo sub-utilizados em "matérias" que buscam atacar (e, no caso da Record, doutrinar).
Espero que essa confusão acabe logo.

Ah, antes que eu esqueça: muito bom o post!

(aproveitando o ensejo... se der, dá uma olhada no meu: www.derekgustavo.blogspot.com =D)

Abraço!

Arthur disse...

Essa constante referência a Deus realmente acabam com a paciência.

O irônico é que, há pouco tempo, sempre ficava um desses carrinhos de cds piratas dedicado à musica gospel atrás do ponto do shopping. Me divertia com o fato do ambulante cometer um crime, segundo as leis dos homens, para divulgar a palavra de Deus (até porque, se não fizesse isso, ficaria de saco cheio por causa das músicas). Mas, perto do esquema da IURD, o crime é até irrelevante.

Obrigado pela visita no blog e pelos elogios. Você tem mais tempo de "blogagem" e ainda por cima experiencia como jornalista, então o que puder me passar em dicas e sugestões serão muito bem recebidas.

Abraços e saudações alagoenses, hehe.