sexta-feira, outubro 30, 2009

Jornalistas e leitura

Sempre quis escrever sobre o tema, desde a faculdade, mas apenas hoje, aproveitando o ensejo da abertura da IV Bienal Internacional do Livro de Alagoas, é que me ocorre praticar a ideia. Pois bem, sabe-se que o Brasil não é um país de leitores e os fatores estão geralmente associados: analfabetismo, carência de incentivo à cultura, poucas bibliotecas, livros caríssimos etc. Muitas pessoas não lêem por falta de oportunidade, muitas outras pela falta de vontade e ainda me surpreendo de ver alguns jornalistas neste segundo grupo.

Sim, há colegas que não gostam de leituras. Vocês não sabiam? Porém, para o exercício da profissão, precisam ler uma coisa ou outra que lhes ajude a compor um texto, tarefa que às vezes beira a atividade mecânica. O jornalismo em si pode contribuir para isso, principalmente se olharmos os profissionais setoristas (de uma única editoria): no geral, o vocabulário é pobre porque precisa ser pobre para falar a linguagem de todo mundo – o que, de certo modo, não colabora com a evolução de ninguém. Ainda bem que, apontam os peritos, já estamos vivendo a época de jornalistas generalistas e quando todos precisam falar de tudo se abre um leque maior de possibilidades.

É claro que jornalistas se defendem em seu mau hábito de ler pouco ou muito pouco. A maioria deles alega falta de tempo, desculpa que foi boa, mas hoje está desgastada. Numa reportagem recente, indagado sobre quais livros estaria lendo, Barack Obama – aquele jovem senhor presidente dos Estados Unidos – deu uma lista de cinco títulos, dos mais variados. Do lado de cá, Lula quase não fala em leitura, justificando-se quando preciso em sua trajetória difícil. Não à toa já ouvi eleitores fanáticos seus dizerem em alto e bom tom, num ônibus lotado, que se estudar fosse importante ele jamais presidiria o País. Ninguém reagiu. Nem eu, que estava em menor número e preferi chegar sã e salva em casa.

Gostaria de na Bienal desses próximos dias encontrar mais pais e filhos, jornalistas ou não, desfrutando da aventura que é ler – pois, “é de pequenino que se torce o pepino”, roga o dito popular. Por que se penso em futuro próspero, e ele está batendo à porta, imagino meus rebentos (e os seus) lendo mais do que eu e do que as pessoas da nossa geração – kindles ou esses volumosos impressos que juntam poeira nas estantes, tanto faz. Para, quem sabe um dia, a leitura perder o status burro de ser privilégio de poucos.
Pessoal, tem nova enquete aí do lado e eu gostaria muito da opinião de vocês. Bom feriadão para todos. Ah, e vão à Bienal! No Twitter, @isoldaherculano, vou postar novidades de lá. Abraço.
Imagem: Google Imagens.

3 comentários:

Fabiana disse...

Flor, sabes que estás certa? Falta de tempo não é motivo para não ler, e sim falta de vontade mesmo, rs.

Inclusive fiz um post ontem no blog falando sobre leitura, citei o dia nacional do livro.

Com certeza, farei de tudo para dar uma passadinha na bienal.

Bj e saudades!

Jamylle Bezerra disse...

É verdade Isolda. Cada vez mais comum o abandono aos livros, sejam ricos, pobres, jornalistas ou não! Que a Bienal desperte o desejo da leitura... vamos torcer por isso!!!

Beijo

julio onofre disse...

Eu mesmo uso esse argumento vez em quando. Mas nos últimos dois meses li um livrinho curtinho - orfeu da conceição - e agora e estou lendo o leite derramado. Ou seja, é só querer.

Ah vou pra bienal sim, amanhã né!