sábado, outubro 10, 2009

Por que com as crianças?

Tem gente que diz que não se impressiona mais com a maldade do mundo, melhor dizendo, a maldade das pessoas do mundo. Seja como for, a mim, o mal ainda inquieta em sua amplitude geral, contudo, parece que quando ele é direcionado aos indefesos se torna mais inaceitável. Nos últimos dias tenho visto uma sucessão de crimes brutais contra crianças que é de mexer com a cabeça de qualquer ser humano – mas tem que ser humano mesmo – e traz à baila a velha questão: onde vamos parar?

Alguns consideram que a exposição na mídia gera uma reação em cadeia: quanto mais crimes a tevê mostra, mais crimes idênticos acontecerão depois, como se o mal gostasse de se espelhar nele mesmo. Essa teoria deve ter um fundo de verdade, afinal, também somos estimulados ao bem quando vemos alguém fazer algo bom – doação de sangue, de órgãos, adoção, gentileza etc. – caso sejamos boas pessoas. Nesse contexto, a pedofilia é o termo da vez. Nunca se falou tanto no assunto.

Apesar dos pesares, acredito que a veiculação dos casos sem a pitada a mais do sensacionalismo, e até com ela, é importante para uma mudança de mentalidade e comportamento: de mães, pais e da sociedade em geral. É preciso rever muitos conceitos. O que agora é apontado como pedofilia, há alguns anos era comum, pelo menos em cidades do interior do Nordeste. Minha avó, por exemplo, se casou aos 12 com um homem mais velho sem saber o que significava casamento. Isso continua a acontecer, com a conivência social: ainda hoje, garotas se casam com senhores, muitas vezes para “melhorar” a situação de suas famílias pobres. E existem episódios mais brutais, que dispensam apresentções: abusos sexuais a crianças menores, bebês de colo.

O tema é tão complexo que psiquiatras e juristas estão à procura da descrição perfeita para ele: e numa nota só expõem o pedófilo como doente psiquiátrico, mas a pedofilia como delito comum. Eu, que não sei definir pedofilia, infanticídio nem a maldade em si, continuo a sentir apenas revolta, tristeza, luto. De saber que as pessoas sequer estão pagando o bem com o bem também.
Pessoal, gostaria que vocês opinassem sobre duas questões hoje, nas enquetes ao lado: sobre pedofilia e MST, sem nenhuma ligação, claro. Salada mista, hein?! Ah, estou com uma conta no Twitter agora, esqueci de avisar aqui, né?! @isoldaherculano Bom feriadão para todos.
Foto: Exaustão, por Isolda Herculano. A saber: a imagem da criança é meramente ilustrativa, não tendo nenhuma ligação com o tema pedofilia.

5 comentários:

Jamylle Bezerra disse...

Os casos mais recentes também me chamaram bastante a atenção. É uma brutalidade, uma violência, uma falta de amor sem tamanho direcionadas a seres indefesos. Dar nome ao que acontece não vai mudar a triste realidade. É de causar revolta em qualquer pessoa.

Beijo

Anônimo disse...

Maldito, você, maldito,
Que por si só se desfaz!
Nunca parou um segundo
Pra pensar no mal que faz?
Então, já que é tão pequeno,
Engula o próprio veneno,
Mas deixe a inocência em paz!

Estêvão dos Anjos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Margarida Araújo disse...

Como não me foi pedida qualquer utilização da imagem, apesar da identificação do meu nome, queria que retirasse a minha fotografia. Estou atenta e lutadora ao gravíssimo problema aqui levantado, mas para mim esta imagem tem um lado de uma enorme ternura, não gostaria, mais não quero, que ela fique ligada a um problema tão horroso. É só.

Margarida Araújo

Isolda Herculano disse...

Olá, Margarida. A fotografia de sua autoria já foi retirada da ilustração do post “Por que com as crianças?”, no blog Mala Jornalística. Entendi seus motivos e o pedido é um direito seu. É só.

Abraço.
Isolda.