sábado, janeiro 16, 2010

O jornalista enquanto ser humano

Sim, há quem acredite que jornalista não é gente, não tem sentimentos, não sofre, não chora, não se sensibiliza a caminho de uma pauta nem reflete a existência quando retorna dela. Especialmente em situações de tragédia. Então, eu olho essa catástrofe que se abateu sobre o Haiti e enquanto penso no sofrimento da população desprovida de tudo ainda arrumo tempo para perceber jornalisticamente os fatos, como alguns dos meus colegas de profissão devem fazer.

Cobrir o momento trágico do outro não é fácil para ninguém, como já discorri em um post antigo chamado O jornalista e a tragédia, contudo é um trabalho que precisaria ser feito por alguém de qualquer maneira. O que a mídia faz, mais modernidade exista nos meios, é o famoso leva e traz típico de seres humanos comuns só que em proporções gigantescas, devido ao alcance e a penetração. Isso parece óbvio, entretanto, há os que custam entender e os que jamais entenderão.

Lembro uma época em que o jornalismo do mundo girava em torno da “guerra no Iraque” e minha mãe fez uma pergunta provocativa enquanto assistíamos o noticiário na tevê: “Filha, se você fosse chamada para fazer uma cobertura assim, nesse país, você iria?”. Respondi positivamente, para seu desespero materno. Eu posso dizer que não sei exatamente o que existe nessa profissão – e que nada tem a ver com o ego, embora a batalha de egos seja uma companhia diária também – e impulsiona a situações assim sem pudores ou medos, que apenas costumam aparecer com o trabalho dado por encerrado. É estranho e meio mágico.

Ainda acredito que o tal fazer jornalístico seja a vontade de ajudar, de ser um canal entre pessoas, mergulhadas no próprio achismo e na ilusão, e a realidade. Jornalista não é dono da verdade e nem sempre tem a liberdade que deseja para trabalhar com ela. Mas falar disso agora seria sair do meu momento ideológico e cair no calabouço do mercado de trabalho. De modo que deixarei o tema reservado para outro papo.

A saber: a jornalista Wanessa Oliveira, da Gazetaweb, encabeça de Maceió a campanha “O Haiti é aqui”. Quem quiser e puder doar donativos, faça contato pelo 9309-8197.

Imagem: Google Imagens.

5 comentários:

Magnoliasantos disse...

Parabéns pela iniciativa de propor essa reflexão e por apoiar a campanha da Vanessa...sugiro que todos os companheiros que têm blogs repassem a informação e assim poderemos contribuir, afinal, o "Haiti também é aqui".
Abraços.

Rafael Belo disse...

A nossa verdade é esta e também "Ainda acredito que o tal fazer jornalístico seja a vontade de ajudar...". Boa como sempre Is. Saudades suas e voltei hehehe após quatro meses de ausência forçada.beijos ótima semana, linda

Jamylle Bezerra disse...

Realmente cobrir fatos como esses não é fácil pra ninguém, mas cabe ao jornalista respirar fundo e ser a ponte de informação entre os que vivem a situação e os demais, que não estão a vivenciá-la. Diante da tragédia do Haiti, já cheguei a me perguntar - silenciosamente - se eu teria coragem de estar lá. A resposta é sim. Sofreria e ficaria meses sem conseguir colocar a cabeça no travesseiro e dormir, mas faria o meu papel de comunicadora da melhor maneira possível.

Beijos

dEREK disse...

Pois é...
Acho que quando o jornalista se envolve com o que está acontecendo, o levantamento dos fatos se torna mais real, mais próximo de quem está vendo aquilo.
Isso é bom para os telespectadores e para o próprio jornalista, que poda parar e analisar o que está acontecendo. Pode-se até pensar que ele vá se tornar uma pessoa diferente depois disso.
Recentemente, Lília Teles, no Jornal da Globo, deu uma ideia de como está a situação no Haiti. Os jornalistas já estão tão envolvidos com a dor da população que dividem seus recursos (que não são muitos) com os necessitados.
É uma pena que alguns só vejam essa lado mais "humano" do jornalismo quando a bomba já estourou. Mas, ainda sim, já é um começo. Se as pessoas pararem de achar que o jornalista é um urubu atrás da carniça e que não tem sentimento algum, estaremos num bom caminho!
***
Ah... eu também sempre respondo "sim" quando me perguntam se eu cobriria uma guerra!!! =D

Barbara Bastos disse...

Bom, bom, bom...nem sei por onde começar...
Vamos lá: o tema deste post é tudo de bom!!!
Realmente nós jornalistas sofremos com a propagação de esteriotipos nem sempre positivos.
Boa reflexão.
Amei!!!
Vou te seguir.
Passa lá pra conhecer minha "casa"
bjs