sábado, janeiro 09, 2010

Ora Boris, não me amole!

Quando assisti a primeira versão do YouTube para o vídeo em que o âncora da Band, Boris Casoy, insulta e desqualifica a profissão de gari pensei que se tratasse de mais uma montagem dessas grotescas vistas qualquer hora na internet. E não porque confiasse na moralidade daquele senhor de cabelos brancos cujo bordão “isso é uma vergonha” simula a defesa dos fracos e oprimidos, mas por questionar tamanha ingenuidade no experiente jornalista com um microfone acoplado ao corpo aguardando poucos segundos antes de entrar no ar. Pois bem, era tudo legítimo.

É claro que o público expectador se chocou, porém, ninguém venha dizer que foi porque o apresentador atingiu a dignidade dos profissionais que trabalham todos os dias recolhendo o que, para a maioria, é dejeto. Ao agir de maneira grosseira com os garis, Casoy acabou atingindo a credibilidade junto ao telespectador que até então acreditava na verdade de suas palavras de desconforto e descontentamento diante de diversas situações de injustiça no Brasil. E se tem uma coisa que ninguém aceita passivo é descobrir que está sendo enganado. Menos ainda, diariamente.

O erro do jornalista é gravíssimo em termos de humanidade e respeito, porém, vários amigos blogueiros já trataram do assunto com propriedade e coerência, embora haja quem o defenda. Prefiro, pois, focar minha crítica na confiabilidade da figura dele como um apresentador de telejornal somente. Todos os dias milhares de pessoas se sentam na frente de uma tevê ligada e depositam nos apresentadores um grau de confiança que não se pode medir. E o sentimento popular engloba desde as figuras “imparciais” de William Bonner e Fátima Bernardes, no tradicionalíssimo Jornal Nacional, ao esbravejar de Datena e Ratinho em seus respectivos programas. É através dessa identificação “sobrenatural” com a população que cada vez mais jornalistas, especialmente os do ramo policial, emplacam candidaturas e "se elegem" nas diversas esferas da política, quase sempre prometendo levar a “voz do povo” para as tribunas, o parlamento, os gabinetes, que seja!

E a “voz do povo” não pode se voltar contra o “povo”, dita o manual das boas maneiras. Não que Boris Casoy já tenha sido representante da população desfavorecida – ele jamais foi! Contudo, no vasto imaginário popular a bancada de um jornal lhe ofertava esse perfil. De vez em quando é até útil que coisas assim aconteçam para que todos entendam (de uma vez por todas?) que não existem super-homens no jornalismo, apenas Clark Kent's.

Imagem: Google Imagens.

5 comentários:

Clauderlan Vilela disse...

Complicado...

Mais um exemplo de preconceito.

Márcia disse...

Que coisa feia ser precoceituoso, e mais feio ainda partindo de uma pessoa tão esclarecida. aff!

Sérgio Coutinho disse...

Isoldinha, ótima a comparação com o aproveitador Clark Kent. Afinal, trata-se de personagem que só fazia reportagens sobre si mesmo, assim como Peter Parker levou a vida se fotografando como Homem-Aranha nas HQs e nos filmes.

O monopólio da fala se desfez. Hoje, a qualquer deslize os apresentadores antes irretocáveis precisam dar explicações. Como bem diz Marcelo Tas, neste século os hipócritas não conseguem manter disfarces por muito tempo.

Bezos Porteños!

dEREK disse...

O que Boris "isso é uma vergonha" Casoy fez foi errado?! Foi, claro. Isso mostra um preconceito e uma discriminação que não deveriam tranparecer num cidadão que entra na casa de milhares, milhões de pessoas todos os dias dando notícias e formando opinião. As pessoas que o assistem creem que ele seja uma pessoa idônea, livre desses pensamentos pequenos. Ok, tudo isso é válido, mas também temos que levar uma outra coisa em conta: alguns jornalistas e blogueiros (como esse que está comentando agora) acham que a situação já está chegando num ponto, digamos, exagerado demais. Ele "falou merda"?! Falou, claro. Mas precisamos de todo esse cyber bulling que as pessoas estão fazendo na internet, crucificando Boris, Band e toda a classe dominante do país?! Acho que não, pois,como eu mesmo já falei lá no meu blog, essa, quer queira quer não, é a opinião dele. E, se eu não me engano, pelo menos a liberdade de pensamento ainda está em vigor nesse país. E ainda vou mais longe: posso apostar um [inclua alguma coisa interessante aqui] que mais da metade desses "bons feitores, defensores dos fracos e oprimidos" já teve seu momento Boris, tendo uma ideia errada disso ou daquilo, seja uma pessoa ou um grupo de pessoas. Não estou aqui o defendendo (claro, pois acho que se o audio não tivesse vazado, ele nunca teria pedido desculpas), e sim dizendo que se ele quer pensar assim, ele pode! Cabe a nós, resto da humanidade que pensa duas vezes antes de formar uma imagem de alguém, mostrar a ele que a coisa não é bem assim. E antes que eu termine esse "pequeno comentário", acho corretíssima a atitude do sindicato dos garis, que vai processar todos os envolvidos nessa "gafe colossal". Ao menos eles não estão fazendo o "auê" que os espectadores desse "circo" estão fazendo. Ah, mais uma coisa: toda uma carreira pode ruir por causa de um comentário?! Se fosse assim, muitos jornalistas já estariam fazendo outra coisa, como aquele guria que acabou de entrar no BBB fez!

Jamylle Bezerra disse...

Achei o fim da picada o que aconteceu. E as desculpas dadas por ele no dia seguinte, na minha opinião, só deixou a coisa ainda pior. Não teve a intenção? Não me venha com essa...

Beijos