quinta-feira, abril 15, 2010

Vida de gado ou o transporte coletivo em Maceió

Todos os dias eu tenho o impulso de escrever sobre como é andar de ônibus em Maceió, mas como se isso tivesse algo de masoquista deixo para lá e sigo em frente – não é seguro dar vazão às próprias emoções sempre, justifico a mim mesma, sabendo que isso não resolve a questão. O fato é que hoje acordei mais rebelde do que o de costume e inclinada a ouvir meus instintos mais primitivos. E, além disso: deixar que eles falem a outras pessoas.

O transporte coletivo em Maceió é um lixo (sim, eu procurei um adjetivo mais seboso, porém, esse parece ser o adequado ao horário e ao estilo de escrita). Primeiro porque, ao que aparenta, não considera transportar gente. Talvez consiga conduzir com alguma dignidade rebanhos. E não falo por mim apenas, que cresci no interior e passei quase toda a criancice e adolescência sem saber “pegar” um ônibus direito. Falo por todas as pessoas que dividem comigo um espaço reduzido, que misturam seus suores ao meu suor, que me apertam contra os seus corpos (ou serei eu a me apertar contra elas?), como se fôssemos absurdamente íntimas desconsiderando a realidade que ninguém ali se conhece.

É claro que isso não é tudo. Falta dizer que se paga muito caro por esse tipo de serviço. São R$ 2 de ida, R$ 2 de volta, caso o passageiro não necessite tomar mais de dois ônibus para completar o percurso. E o direito de desfrutar de linhas insuficientes, sentar em bancos soltos, ficar parado no meio do caminho por problemas mecânicos ou de qualquer natureza, além da já citada superlotação. Ser assaltado dentro dos coletivos também é algo frequente. Por algum motivo banal jamais aconteceu comigo; muitos amigos, conhecidos e desconhecidos não tiveram a mesma sorte. Não posso ignorar, porém, que existam linhas organizadas, especialmente aquelas que percorrem trajetos mais classudos na cidade, desses que incluem o entorno do antigo Shopping Iguatemi e avenidas da Ponta Verde, por exemplo um jogo, enfim, de aparências.

Eu poderia dizer ainda que o transporte como um todo em Maceió é caótico e mesmo os condutores, em seus veículos particulares, não têm o sossego que garantem as propagandas das concessionárias no momento em que acessam as principais artérias do município. Mas, pensando bem, vou deixar o tema quietinho para quando comprar um carro. O que seria uma solução egoísta, é verdade se não fosse o início de outro problema.

Pessoal, o blog ainda está passando por modificações, portanto algumas ferramentas podem apresentar falhas. Paciência, por favor! Obrigada.

Imagem: Isolda Herculano - ônibus que faz a linha Ufal-Ipioca, encalhado em algum lugar do bairro Jacarecica.

9 comentários:

Anônimo disse...

Oi! Isso me fez lembrar qdo eu andava de ônibus em Cuiabá e aqui mesmo em RP. Por essas e outras é q agora vou de bike: prático, ecológico, saudável e barato. Mas vc está certa em alertar as autoridades p/ providências.
Abç...
ERNANI/RIO PRETO-SP.

Milton Rodrigues disse...

Carro = Somente o ínicio de outro problema.

O transporte público deveria ser ume estímulo.

puta vida de gado msm!

Vítor Luz disse...

hahahaha

Gostei da perspectiva!

Real, mas um tanto quanto ultrajante!

=**

deisy disse...

Não acho ultrajante esse texto de Isolda que não faz nada além de expor a situação crítica dos transportes coletivos em Maceió. É trágico. Os empresários não estão nem aí para as pessoas que pagam caro para ter o direito e a dignidade de ter um transporte de qualidade. Em proporção somos uma das cidades que têm a passagem mais cara do país. Nós, que fazemos o uso da famosa "sardinha" não temos outra alternativa e, é assim que termina dando a continuidade desse descaso. Ninguém merece ufal/ipioca lotado e a pequena quantidade de ônibus oferecidos por essa linha. Sem contar a demora no ponto, ou quando ele quebra. Dá vontade de me tornar uma vândala, para assim não passar despercebida.

Deisy Nascimento.

Ralph disse...

Gostei... Muito bem externado o sentimento que a maioria dos usuários do transporte coletivo em Maceió são obrigados a conviver diariamente. Descaso, falta de respeito e outros mais. Mas, as eleições estão aí...

Parabéns Isolda,
Abraços,
Ralph

Fabiana disse...

Falou muito bem. Realmente é assim que me sinto quando tenho que pegar o tal do circular. ônibus velho, atrasado.
O que mais me irrita é que o valor da passagem é hiper cara. Quando no Recife se paga bem menos (acho que R$ 1,50), e em certos lugares vc tem direito de pegar mais ônibus só com esse valor.
Para quem está de carro, o trânsito está infernal, com certeza. É necessária a melhora URGENTE do trânsito. Espero que com o VLT as coisas por aqui melhorem!

O layout novo tá lindo! Vc já viu o do delícias? Também tá novo! Bjokas!

Ludmila disse...

Acho que você falou por muitos que dependem do coletivo. Eu sou um deles. Enfrento um trajeto longo e cansativo para a UFAL num ônibus lotado, abafado e desconfortável, além de totalmente alheio ao que significa "pontualidade". Como se não bastasse o trajeto de mais de 1h e a demora pra estes referidos busões passarem, alguns motoristas ainda se fazem de engraçadinhos, passam direto quando faço sinal, não entram na Ufal no horário obrigatório, trocam a cor da placa, enfim... A situação nada mais é que caótica, não?

Anônimo disse...

oi Isolda, eu tenho uma amiga que se identificou totalmente com a sua matéria...
Esse ufal/ipioca ninguém merece!!!!
Bjos*
Ju

Rafael Belo disse...

Adorei este verde jeans... A foto da mala e do all star então... Show. Jpa escrevi muito sobre ônibus e sempre quando os "pego" volto a escrever so bre o assunto. Aqui é mais de R$2,5 0para andar espremido e " íntimo" de outros suores. Asssim, com o o caótico trÂnsito ehheeh venho escrevendo muito sobre heeheh beijos querida. Muito bem indignado seu belo texto. ótima semana