sábado, junho 19, 2010

O sujeito e a tragédia


Eu não acredito que chuva e sol em abundância sejam castigos aos homens de pouca fé. Seria sadismo demais para um único deus. Mas sem querer entrar em pendengas religioso-espirituais, e por acaso fugindo delas, gostaria de chamar atenção para a verdadeira tragédia que se abate sobre Alagoas este final de semana.

A água que caiu das nuvens pairadas sobre o estado e principalmente a que veio correndo pelos rios de Pernambuco até aqui causou mortes – não se sabe quantas ao certo –, desabrigou pessoas, desalojou outras tantas. Milhares delas, um verdadeiro caos. E Alagoas acordou mais pobre e miserável.

Mas talvez você não conheça nenhuma dessas gentes. E daqui, da capital Maceió, apenas se agrade do friozinho que está fazendo esses dias, poupando a potência do seu ar-refrigerado. Quem sabe vá dormir mais tarde hoje, porque é sábado, e só acorde amanhã para ver a seleção jogar na África do Sul – aquele lugar de um povo pobre que lhe corta o coração. Afinal, é Copa do Mundo e não deve ser pecado esquecer que é alagoano.

Ou talvez você não seja esse sujeito aí do terceiro parágrafo e esteja fazendo algo por seus irmãos em Cristo, em Buda, em Alá... Então, eu posso lhe imaginar juntando uma muda de roupa, lençol, colchão, colocando pouca comida numa sacola do Hiperbompreço, que seja!, e votando certo nas próximas eleições. E neste momento sentirei todo orgulho do mundo quando apontarem você e eu, uma não-alagoana, como semelhantes.

Corpo de Bombeiros: 3315-2900 e 3315-2905

Imagem: José Feitosa/Gazeta de Alagoas - município alagoano de Rio Largo.

4 comentários:

Anônimo disse...

Isolda

Bom dia. Gostei da primeira abordagem, não podemos nem temos o insensato e pretenso direito de querer atribuir a causas exógenas à terra os problemas causados aos humildes aqui. Na verdade o problema é mais profundo e neste sentido nós, todos nós e cada um a seu termo, temos que trabalhar em duas frentes. De imediato sim, o apoio aos desvalidos com o suporte material. Mais profunda é a questão da falta de responsabilidade no gerenciamento e na falta de planejamento urbano. Quero dizer, todos falhamos: a Universidade que não faz seu papel, a imprensa que só noticia a tragédia (tem mercado consumidor para tal), e os orgãos públicos, estes os maiores responsáveis pelo gerenciamento do solo urbano. Dito e etendido isto, é trabalho para gerações, mas temos que começar.
Neste país estamos acostumados a nos enganar e não queremos ver, por omissão ou leniência, não sei. Me entristece o fato de ver que as responsabilidades dos órgão públicos ficam diluidas nas águas, cujas águas cobram mais caro o lixo que nelas colocamos e os ingênuos atribuem aos deuses tais pedágios.

Bom fim de semana.

Abs

Orlando

julio onofre disse...

o que me irrita em tempos de enchente são duas coisas:
(1) quando a cheia é nordeste, parece que é só uma marolinha para a imprensa nacional, e fica tudo como era.A notícia é assim; caiu uma chuvaradazinha lá no nordeste, mas eles pegam os jegues deles e saem voando".
(2) A outra se tratando de Brasil é que todo mundo sabe onde vai alagar, quando vai alagar e quanto vai alagar e nada é feito para evitar.
homi.....

Anônimo disse...

Homi, homi, homi, homi...
Deus sabe que tudo isso
Tem como causa maior
A falta de compromisso
De cada um e de todos
Que estão pecando em "serviço".

Jamylle Bezerra disse...

Dizer que a catástofre é um aviso, um castigo divino, é querer isentar o ser humano da culpa, do descaso para com o próximo. Acho também que não é hora de procurar culpados. É hora de ajudar a reconstruir casas e refazer vidas. Milhares de pessoas esperam por nós, por nossa ajuda, e não podemos deixá-las na mão.