segunda-feira, julho 12, 2010

Eliza, a ex-amante

O jornalismo muda e isso é bom quando as mudanças têm o objetivo de tornar o relato mais próximo da realidade. No famoso caso do goleiro Bruno, ex-Flamengo, observei jornalisticamente o uso do termo que há pouco tempo atrás era visto com ojeriza pelos veículos de comunicação: amante. É, amante. Isso aí que você está pensando.

Eu mesma lembro já ter sido "censurada" em uma redação pelo uso do vocábulo. Mais ou menos assim:

- Amante! Amante, Isolda!
- Sim, amante. Ela era “a outra”.
- Ah não. Amante a gente não usa em jornalismo. Troca por outra coisa.

E troquei, afinal, a notícia precisava sair ali, naquele minuto. Depois, observando outras publicações, de propósito, vi que o termo era pouco ou nada utilizado. E com frequencia se trocava a simples palavra "amante" pela expressão equivalente "pessoa com quem mantém relacionamento extraconjugal" – alongando o caso. Recorri também à memória e não lembro ter ouvido nem lido em lugar algum que Luciana Gimenez era ex-amante de Mick Jagger. Acabei me conformando daquilo.

Que surpresa a minha ao ver nas tevês a tal "ex-amante" ser usada à exaustão para fazer referência a Eliza Samudio, embora também tenha ouvido/lido para a mesma situação a falaciosa "ex-namorada". Ainda que “ex-amante” saindo das bocas dos repórteres e apresentadores de bancada soe mais real para além do às vezes fantasiado mundo do jornalismo tradicional. Será apenas pela posição social da moça ou a palavra foi mesmo incorporada aos manuais jornalísticos mais modernos?

Aproveite para votar na enquete da lateral direita: E VOCÊ... JÁ TEVE UM(A) AMANTE?

Imagem: Google Imagens.

5 comentários:

Andréa Garside disse...

Ola Isolda. Gostei muito da sua colocação em relação ao assunto. Eu acho que o fato do termo "amante" não ser bastante utilizado jornalisticamente, tem haver com a hipocresia que infelizmente faz da nossa cultura. Pessoas mentem, são falsas, corruptas, todos sabem, mas o jornalismo ainda insiste muitas vezes em mascarar e esconder o que se passa na realidade. Eu acho que a partir do momento em que trocam a palavra amante, por namorada, já é um grande exemplo disso.

Sandro Jedrzejczyk disse...

ACHO QUE O JORNALISMO CONTINUA O MESMO. MAS O QUE MUDOU E ME DEIXA REVOLTADO É A HIPOCRISIA DE ALGUNS CHEFES DE REDAÇÃO, QUE TENTA FAZER UM JORNALISMO PURO, FAÇA-ME O FAVOR!!! PEDIR PARA NAO USAR O TERMO AMANTE LAMENTÁVEL.

É COMUM DONOS DE SITES, JORNAIS NAO PUBLICAR CERTAS NOTÍCIAS QUANDO UM POLÍTICO OU FAMILIAR SE ENVOLVE EM ALGUM TIPO DE PROBLEMA, SIMPLESMENTE O FATO É ENGAVETADO, COMO SE ELES TIVESSEM RABO PRESO COM DETERMINADAS PESSOAS. ISSO NÃO É FAZER JORNALISMO, ME DSCULPE MAS NAO CONSIGO ENTENDER.

Anônimo disse...

Isolda, isto me faz lembrar que, segundo depoimento de velhos atores, no teatro brasileiro até os anos 50 também não se usava a palavra "amante"- era indecentissima. Até os anos 50 mulher "desquitada" era sinônimo de prostituta, filho de "desquitada" não podia frequentar colegios de "família" .
Enfim, a semântica muda com os tempos.

Ars.

Rafael Belo disse...

Na verdade rsrs nada é uma palavra esperando tradução rsrs bem.. Sensacionalismo puro e endemoniando os 'suspeitos' contra a grande massa. Desde análise psiquiatríca e psicológica 'ao vivo' até punições adiantadas. Algumas vezes 'quase' culpando Eliza (Fernanda Faria / Maisa (ou seria Raica?) Oliveria) Samudio pela escolha de vida e profissão como se algo permitissem alguém tirar a vida de outro... ótima matéria bela. Como está tu IS? beijos

Ludmila disse...

tsc. eufemistas.
não confundam ética com omissão, queridos jornalistas. se é a verdade, tem de ser publicada.