quarta-feira, julho 21, 2010

Sobre webjornalismo e noticiário chupado

Quem já trabalhou ou trabalha com o webjornalismo sabe o que é “chupar” uma matéria. Quem não trabalhou ainda, saiba: é o ato (e às vezes o hábito) de se apoderar de informações apuradas por outra pessoa como se a apuração tivesse sido sua e construir em cima dessa ilusão um conjunto de linhas ordenadas que você romanticamente chamará de “meu texto”. Trocando em miúdos: é clonar a reportagem alheia, modificando pequenos elementos e assinando embaixo. Entendido?

Veja bem. Chupar não tem nada a ver com pesquisar, buscar informações ou tirar dúvida em relação a um fato que escapou da sua atenção jornalística. Essas pendengas, aliás, resolvem-se com ligação para o colega de profissão, uma pergunta no local mesmo da ação ou depois, via MSN, e de mil outras maneiras que não convêm detalhar – viva o jornalismo e elas vão aparecer como que de bandeja. Também não se trata de copiar e colar, na base do Ctrl+C/Ctrl+V, uma reportagem inteira, caso seja dada a ela o devido crédito. Os chupões do webjornalismo estão além desses atos angelicais. São quase obscenos.

Em Alagoas, chupa-se matérias por enes motivos. O mais comum talvez seja a não possibilidade da equipe do site estar onde o fato ocorreu – por uma deficiência estrutural e/ou profissional da empresa. Admito já recorrido a essa “solução” rápida, mas na maioria das vezes, por vergonha, não assinava o texto final. Sim, vergonha, repito. É que para um jornalista de bom e até mediano faro o cheiro de uma matéria chupada é percebido à distância. Preferi o não-vexame.

Chupar matérias, além de ser uma quase violação dos direitos autorais, forma o jornalista preguiçoso, que senta na cadeira de uma redação e fica esperando que as coisas aconteçam sem sequer dar um telefonema. Tenho notado esse reflexo nas webredações e me recuso a chamar a prática de jornalismo. Quer mais? O tradicional impresso (quem diria?) também chupa diariamente o webjornal. Mas isso é conversa para outro post.

4 comentários:

Notícias coisas e tal ........... disse...

Isolda, concordo com você em gênero, grau e número. O interessante seria que todos nossos colegas de profissão lesse seu texto. Muito legal seu gancho...isso de fato vem acoontencendo escancaradamente.bjs.

Sandro Jedrzejczyk disse...

QUE BOM QUE O SEU POST FOI SOBRE CHUPAR MATÉRIAS. SEI MUITO BEM O QUE É ISSO. QUANDO EU ESCREVIA AS MATÉRIAS DO ASA PARA UM SITE DE FUTEBOL AQUI DE MACEIÓ, CERTOS JORNALISTAS DE OUTROS SITES E JORNAIS COPIAVAM O MEU TEXTO, FAZIAM AS "PEQUENAS" ALTERAÇÕES E NO FINAL PUBLICAVAM COMO SE FOSSEM DELES.

MUITA CARA DE PAU DESSAS PESSOAS QUE NEM DE JORNALISTAS EU OS CHAMO, EU TRATO ESSAS PESSOAS COMO SANGE-SUGAS DA NOSSA PROFISSÃO.

INFELIZMENTE ISSO É UMA COISA QUE ACONTECE E SEMPRE VAI ACONTECER NO JORNALISMO LOCAL, NESSE INÉRCIA INTELECTUAL, INÉRCIA DE LIGAR, INÉRCIA E INÉRCIA DE FAZER A SUA PRÓPRIA MATÉRIA.

Rafael Belo disse...

Também sei e claro que será loooonnnngaaaa matéria a que virá sobre os 'chupões de papel' é um prática vergonhosa ao qual às vezes tenho de recorrer mesmo com os devidos créditos... ótimo fim de semana linda

Ludmila disse...

atire a primeira pedra quem nunca refundiu.. a diferença é que sempre há a possibilidade de assinar com um simples 'da redação'.