quarta-feira, agosto 31, 2011

Brasil secreto – ninguém sabe, ninguém viu

Não me surpreende, embora incomode muito, a não-cassação da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) pela Câmara dos Deputados, ontem. O episódio é mais um daqueles para a coleção dos que fazem vergonha a qualquer brasileiro com mero entendimento do que seja honestidade e desonestidade. Cá para nós, diferença nem um pouco sutil. Uma criança pobre, subnutrida, analfabeta, que, desde cedo, foi ensinada pelos pais a não mexer no que é dos outros, entende o conceito. Mas Jaqueline não entendia. E meteu a mão na bufunfa que não era sua. Seu pai, Joaquim Roriz, que em 2010 precisou renunciar ao Senado e a mais uma candidatura ao governo do Distrito Federal após “denúncias”, não lhe deve ter ensinado direito a lição. Então...

Em Brasília, 265 colegas quiseram manter Jaqueline no mandato de deputada federal. Quem são? Não sei. Votaram secretamente, enfronhados no quentinho anonimato. Hoje mesmo qualquer um deles pode olhar de cara lavada a cara do cidadão de bem e dizer que achou absurda a permanência dela lá, sem que alguém possa desmenti-lo. É o fim da picada, mas poderia não ser se uma emenda constitucional que acaba com o voto secreto no Congresso Nacional saísse da gaveta.

Apresentada em 2001, pelo ex-deputado Luiz Antonio Fleury Filho, a emenda dorme em berço esplêndido desde 2006, quando chegou a ser votada em primeiro turno com 383 votos a favor. A votação em segundo turno, porém, jamais existiu: nunca viajou da Câmara ao Senado Federal. Carlos Sampaio (PSDB-SP), relator do caso Jaqueline Roriz, disse que pretende pedir ao presidente da Câmara, Marco Maia, a inclusão da PEC, que enfrenta forte resistência entre os parlamentares, na pauta. A seguir: cenas do próximo capítulo. Ou não.

Eu gostaria de chamar Jaqueline Roriz de criminosa, só que depois da absolvição dela, se tratá-la assim, talvez a criminosa seja eu. Minha manifestação de insatisfação, descrédito e desilusão, contudo, é pública, notória, está aqui, imortalizada por essa publicação para quem quiser ler. Não me vale o segredo que corre em Brasília, em Alagoas, e em tantos outros cantos desse mundo tupiniquim. De um Brasil secreto que ninguém sabe, ninguém viu.

Com informações de O Globo.

2 comentários:

Rafael Belo disse...

Repito o que disse no FAce: Noblat disse bem... É falta de respeito "A Constituição diz que pode ser corrupto em 2010 e não pode em 2012?" A ficha limpa é o maior imbroglio 'enrolacional' jamais antes visto neste país. Quanta indignação cabe em uma pessoa?!

É absurdo!É absurdo!É absurdo!É absurdo!É absurdo!É absurdo! Bela indignação querida sem segredos Is, bjs saudosos

Armando Bortolini disse...

A questão é que o pai ensinou outra lição. Que deve ter aprendido com o pai dele. Tá no sangue.
Ainda cabe a velha frase: Excesso de ação e falta de reação!